A minoria em sua maioria

22 03 2010

Por Magdalena Bertola

O termo minoria diz respeito a determinados grupos humanos e/ou sociais que estejam em inferioridade numérica em relação a um grupo majoritário e/ou dominante. Porém, em vários casos as chamadas minorias sofrem preconceito, mesmo sendo, na realidade, a maioria. Como no Brasil, onde ainda existe preconceito com negros, apesar de ser a maioria no país.

Nos filmes Um Sonho Possível e Preciosa, a minoria (ou maioria populacional e maioria desfavorecida), são contadas duas histórias de jovens americanos, pobres e negros, histórias que repercutiram no mundo todo ao irem para o cinema.

Michael Oher era um garoto sem família, sem dinheiro, sem casa e sem esperanças. Então um dia uma oportunidade apareceu, e a partir desta, muitas outras vieram.

Claireece Precious Jones era pobre, violentada pelo pai, abusada pela mãe, analfabeta e triste. A vontade de morrer e a falta de esperança eram fortes em sua curta vida, apenas 16 anos. Com ajuda de profissionais que atuam em escolas e muita luta, “Preciosa” começa sua jornada em busca de um mundo de amor.

Histórias como essas não são vivenciadas apenas na ficção, as minorias muitas vezes escondem grandes talentos e idéias incríveis, que geralmente não são vistos ou são desacreditados por causa da “honra” ou mesmo do que a sociedade pode pensar em relação a isso, aqueles que conseguem seu lugar ao sol, geralmente recebem uma espécie de milagre ou lutam incansávelmente para alcançar seus objetivos.

Um exemplo pode ser a cantora norte-americana Eunice Kathleen Waymon, mais conhecida como Nina Simone, que sofreu violência doméstica e preconceito pela sua cor e origem. Apesar disso, Nina foi uma das primeiras negras a ingressar na famosa e renomada Julliard School Of Music, além de ter cantado junto com Maria Bethânia e ter sido uma das artistas a cantar no enterro de Martin Luther King.  Uma de suas músicas mais famosas, Mississippi Goddam, fala sobe o assassinato de Medgard Evans , um ativista negro e de quatro garotas, também negras, em uma igreja do Alabama. Nessa música, “goddam” pode ser representado pelo fato de que o assassinato de 5 negros não era considerado algo de grande importância para a sociedade daquela época ao redor dos Estados Unidos, ainda mais em locais como o Mississippi, que é um dos estados em que a Ku Klux Klan era mais forte e tinha maior influência sobre a sociedade.

No Brasil, podemos ver o poeta e um dos precursores do Simbolismo, Cruz e Sousa, que teve a oportunidade de estudar, pois os ex-senhores de seus pais, os negros alforriados Guilherme da Cruz e Carolina Eva da Conceição.

João Cruz e Sousa recebeu o sobrenome do ex-patrão de seus pais, o Marechal Guiherme Xavier de Sousa, a qual a mulher, Clarinda Fagundes Xavier de Sousa, que não tinha filhos, se ocupou da educação do menino. Cruz e Sousa poderia não ter sido nada nem ninguém, porém agarrou sua oportunidade de estudo e chegou a dirigir o jornal Tribuna Popular, combatendo a escravidão e o preconceito. Também trabalhou na Estrada de Ferro Central do Brasil e no jornal Folha Popular. O incrível é pensar que quando Cruz e Sousa era jovem, até uma manchete em um jornal foi escrita em relação a ele, antes desse ser famoso, nessa manchete, o jornal dizia que um negro muito estranho, pois andava com roupas chiques e era muito educado, estava andando pela cidade. Isso era motivo de preocupação.

As minorias muitas vezes são também um lugar extremamente incrível para pessoas nascidas do “outro lado”. Exemplo pode ser visto pela escritora Simone de Beauvoir. Nascida e criada em Paris, Simone era filha de uma burguesa e um aristocrata, não fosse seu gosto pelo que “não era certo para garotas de sua classe social”, Simone teria sido somente mais uma entre muitas burguesas. Na década de 40, Beauvior começa então a escrever sobre a condição das mulheres, que sofriam preconceito e abusos constantes.

No livro O Segundo Sexo, Simone quebra tabus e fala sobre a mulher e sua sensualidade, sendo assim atacada até por alguns amigos e tendo o livro posto no índex do Vaticano. Porem, o livro é sucesso absoluto e tem milhares de exemplares vendidos em uma semana.

Mesmo que alguns poucos consigam sua parcela de aceitação, em geral, dentro de uma sociedade, as minorias são excluídas. Mesmo que essa sociedade seja, em si, uma minoria.

Podemos partir dos exemplos de que, dentro do exército ou mesmo do futebol, as mulheres sofriam preconceito, o “sexo frágil” não era capaz de assumir responsabilidades que antes eram empregadas apenas aos homens. No Brasil colônia, negros e índios eram escravizados para suprir as necessidades egocêntricas dos senhores e das cidades. Na Idade Média, mulheres ruivas eram queimadas na fogueira acusadas de bruxaria, pois seus cabelos cor de fogo eram o sinal de servidão ao diabo. O preconceito existe desde os primórdios do mundo, e por isso mesmo, deveria ser extinguido, pois, naquela época, éramos muito mais ignorantes do que somos agora, e com o grande passo da humanidade, deveríamos, todos, saber que sem as diferenças, o avanço não é possível.

A globalização surgiu com um falso lema de que tudo se tornaria um e todas as culturas se relacionariam facilmente e sem obstáculos. Em um mundo perfeito, isso aconteceria, porém, no nosso mundo que é cada vez mais consumista, os meios de comunicação em massa determinam o que devemos fazer, ter ou como ser, e isso abre portas para que aqueles que não se encaixam nos padrões globalizados continuem sendo marginalizados.

Quem sabe, com o sucesso de Preciosa e de Um Sonho Possível, as pessoas passem a ver os próprios erros. É difícil, mas talvez uma pequena parcela do caminho seja percorrida, como está escrito no pôster de Preciosa “A maior jornada começa com apenas um passo”.

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