As influências dos influentes

5 04 2010

Por Magdalena Bertola

O que vende atualmente no mundo musical são os tipinhos coxinhas e garotas malvadas. Isso também serve para o mundo fashion, onde o estilo bem-comportado de homens e mulheres estão fazendo mega sucesso, com suas roupas bonitinhas e muitas vezes lembrando o estilo nerd, enquanto do outro lado, tecidos sintéticos, sapatos fenomenais, maquiagens e penteados alucinantes fazem a cabeça da galera fashionista.

Porém, devemos lembrar-nos do que influenciou essa nova geração a ser assim, tanto na música, quanto na moda.

Voltando a meados dos anos 60, temos os nem tão comportados, porém pacifistas hippies, que com seu rock progressivo cantavam o hino de uma geração um tanto quanto viajada pelo LSD e pela vontade de viver em um mundo onde fadinhas verdes e duendes moradores dos cogumelos fossem livres e trouxessem felicidade para os humanos.

Já nos anos 70, os Disco, que no Brasil são popularmente chamados de Lagartixa, surgiam com suas calças boca de sino e black powers, embalados pelo filme de John Travolta Os embalos de sábado a noite. No final da mesma década, os punks surgiam como uma resposta a toda aquele mundo feliz promovido pelos homens cabeludos e pelas mulheres das flores. Os punks gritavam revolução a todo custo, fosse com violência ou não, afinal, a maneira pacifista dos hippies não dera certo, então talvez a hora da briga tivesse chegado. Moicanos, roupas rasgadas, cabelos estilo Spike, alfinetes, rebites e coturnos adornavam aquelas pessoas que gritavam por um mundo diferente no qual o governo ouvisse a população. Com o propósito de chocar e mudar a sociedade em geral a partir disso, os punks ainda rodeiam o mundo, apesar de muitas coisas terem mudado.

Já no inicio dos anos 80 um tipo diferente surgia. Chamados de “punks de boutique” durante um bom tempo, os darks surgiam como que filhos do punk não contentes com o resultado da empreitada revoltosa.

Esse grupo que muitos não entendem, que caminham por cemitérios, usam maquiagem carregada e roupas pretas cantam a voz de uma geração desolada e sem esperanças. Muitas das letras consideradas mórbidas possuem grande cunho político, porém escondido por detrás da falta de esperanças da tribo urbana que era a que não se conformava, mas não tinha mais forças para lutar. Muitas vezes, a musica gótica/dark também se utilizava do irônico grotesco e do humor negro para demonstrar o descontentamento, além das influências de filmes de horror e terror cômico dos anos 30,40 e 50 nos visuais.
Saindo da parte política, vemos no mundo da moda grande influencias desses estilos, além do bom e velho estilo Rocker, aquele dos primeiros rebeldes, lá dos anos 50, os quais usavam topetão cheio de brilhantina, calças justas e jaquetas de couro, e jogavam as menininhas de calças e vestidos justos para o alto enquanto dançavam sua música negra.

Ou os seus equivalentes britânicos, os Teddy Boys, que se vestiam com muito afinco inspirados na era eduardiana. Não podemos esquecer-nos dos Beatles, que, querendo ou não, vieram logo após essa fase do descobrimento do rock, e fizeram sucesso com seus paletós e cabelinhos com corte comportado, além de suas letras e atitudes que faziam com que as mamães de nossas mamães o desejassem como genro.

Saindo do rock e indo ao jazz e ao rhythm and blues, os Mods, – abreviação de Modernismo, também conhecidos como Scooter Boys – também britânicos e cinquentistas, surgiam na classe média, e, com seus ternos italianos justissimos e suas scooters, além das brigas com os teddy boys e os rockers, eram obcecados pelas tendências da moda e da musica.

De Vivienne Westwood – a mãe do visual punk – e Malcolm McLaren, que criaram o logo , cantado pelo Sex pistols; a Alexandre Herchcovitch, vemos as passarelas e as ruas dominadas por correntes, calças de couro, cabelos esquisitos e maquiagens quase teatrais. O estilo rebelde ou “legalize” nunca saiu de moda, e sempre faz a cabeça das pessoas. Como Alexander McQueen fez a cabeça de Björk e Lady Gaga, essas fizeram a cabeça de meninos e meninas nos dias de hoje. O estilo teatral e grotesco de McQueen já virou conceito a um bom tempo. Mas fora os grandes estilistas, temos que pensar que existem diversos fashionistas nas ruas, nos rolês undergrounds, nas baladas baratas e obscuras das ruas perigosas das grandes metrópoles mundiais. É nesses locais que muitos grandes nomes da moda se enfiam, de vez em quando, para tirarem uma grande idéia que renderá milhões na próxima estação. E às vezes, é desses lugares que saem grandes nomes da arte.


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