Glória aos Injustiçados

19 03 2010

Por Stefanie Duarte

Em um ano onde os discursos, principalmente dentro do Brasil, então voltados para as chamadas “minorias”, não é surpresa que a sociedade parte em defesa dos que são julgados por ela fracos e oprimidos.Lá fora, com a história da devastação do Haiti, os terremotos , ciclones e todas os desastres que vem acontecendo, o espírito humanitário prevalece, ao menos por enquanto. As iniciativas são incríveis, sem dúvida alguma, mas é inegável que em Hollywood, virou moda ser “bonzinho”.

O meio artístico está cheio de grandes talentos, e para chamar a atenção da imprensa em meio a tanta concorrência, os indivíduos tem apelado para duas opções: ou lançar uma moda completamente nova, por exemplo, usar sangue artificial em apresentações em público ou se vestir de corvo em uma premiação, como faz sempre Lady Gaga, ou ajudar as vítimas da África, ou fundar uma instituição de caridade que leva o próprio e etc.

Se o mundo reflete o que Hollywood faz e imita o que Hollywood pensa; Hollywood também precisa aparecer dentro do seu próprio meio. O Oscar é uma festa que é usada, na maioria dos casos, pra isso. Nesse ano, os filmes que mais chamaram a atenção, além do tecnológico Avatar, foram “Preciosa” e um “Um Sonho Possível”, sendo que o último garantiu uma estatueta dourada a atriz Sandra Bullock por sua atuação no papel principal. Ambos são carregados de drama, lidam com questões sociais e abordam temas frágeis como o racismo. Surpresa¿ Nenhuma, os filmes já eram favoritos.

Coisa semelhante acontece no BBB. Só que ao contrário. Uma figura polêmica chamada Marcelo Dourado. De todos os adjetivos empregados ao participante, ficamos com aqueles que definem o estereótipo do mesmo – gaúcho e lutador de vale-tudo. Isso já lhe confere e reforça os atributos de machista, bad-boy, marrento, explosivo e… homofóbico. Rapidamente ele se tornou o antagonista da ala gay do programa – ala esta que, excetuando a Angélica, é composta pelos estereótipos dos homossexuais, retratados em piadas velhas dos programas de humor de bordão. E isso provocou não só a divisão da casa, como também do público, provocando reações extremadas, como a do cara que estava sorteando R$ 50 mil para quem eliminasse o lutador do jogo.

A psicóloga Patrícia Barros explica que esse fenômeno é comum no ser humano: ficar do lado das “minorias”. Se em ambos os filmes ganhadores do Oscar a Academia se comoveu com a história de personagens por sofrerem preconceito, terem dificuldades na vida que a maioria das pessoas não conhece, no BBB a população brasileira também ficou do lado de quem estava em desvantagem na casa, sofrendo uma espécie de “heterofobia”, termo usado pela própria psicóloga para descrever a situação de Dourado.

Sabendo disso, os diretores tanto fazem os filmes pensando na fórmula “mágica” do drama-comoção-Oscar, como escolhem os participantes do BBB mais propícios a gerarem polêmicas inéditas dentro da casa. Tanto uma opção quanto a outra favorece as minorias, e pra ganhar um Oscar, isso vem dando certo. Resta saber se a fórmula do sucesso também vai funcionar no BBB.

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OBS.1: Blog sobre o filme “Preciosa” e a visão das Minorias

OBS.2: Blog sobre “Um sonho possível” e a realidade utópica do filme