Alice junkie ou Alice cri cri?

21 04 2010

Alice no País das Maravilhas foi um grande sucesso da literatura em sua época e o é até os dias atuais, além de ser um sucesso de cinema como animação e atualmente com o filme estrelado por Johnny Depp.

É sabido que Charles Dodson, conhecido pelo pseudônimo Lewis Carroll, pode-se ter utilizado referencias a pessoas reais e a situações passadas no edifício da Universidade de Oxford, bem como sua arquitetura, para criar a história. Mas seria somente isso presente no conto?

Diversas passagens do livro podem ser vistas como uma mascarada – ou nem tanto – apologia as drogas, bem como as viagens produzidas por certas substâncias.

Como exemplo, temos a própria Alice, que ao seguir um coelho vestido como humano, cai em um buraco e desce por um túnel com cadeiras, mesas, espelhos e livros flutuantes. Mais a frente, no final da descida, Alice tenta entrar pela mínima porta que tem rosto, que logo pergunta “porque não dá uma olhada na garrafa em cima da mesa?”, que até o presente momento não existia e que surge inesperadamente. Ela toma o conteúdo da garrafa e diminui de tamanho. Que liquido misterioso seria esse? Algum tipo de bebida alcoólica ou algum tipo de chá alucinógeno, como o chá de Yagé? Chá esse que produz diversos efeitos, dentre eles a ilusão de objetos que ficam maiores ou menores. No livro “Adolescência, drogas e violência”, o autor Marcus Vinicius Mathias fala sobre os tipos de bebidas que Alice experimenta no conto de Carroll e sobre as fantasias da garota sobre o mundo adulto, moralista e cheio de regras ilógicas. Podemos ver, nessa passagem a figura da Rainha de Copas com o moralismo e as regras, que na verdade não possuem qualquer lógica, uma vez que o que a Rainha sabe fazer melhor é mandar decapitar inocentes. Além disso, ao precisar da chave para destrancar a porta, Alice precisa comer um docinho colorido com a sentença “Eat me” escrita. Nada difícil lembrar o Ecstasy.

Alice, então, acaba por conhecer a famosa Lagarta, que vive a fumar um cachimbo que produz uma fumaça colorida. Advice from a Caterpillar A menina confessa estar passando por uma crise de identidade, devido as suas constantes transformações. A lagarta, então já transformada em borboleta, dá um conselho para a menina, que está com apenas 10 centímetros, “um lado te fará crescer, e o outro lado te fará diminuir”, ao cabo que a garota pergunta, o inseto responde “do cogumelo, claro!”. Isso é, visto por alguns como influência da lagarta/borboleta para que Alice tente  apaziguar a tristeza e a crise com o uso de drogas.

O Chapeleiro Maluco, ou Mad Hatter, pode ser visto como um símbolo claro de crítica aos ingleses tradicionais da época vitoriana, pois ficou tão ligado e preso as tradições que acabou enlouquecendo, porém, no livro “As portas da percepção”, Aldous Huxley Continue lendo »